sexta-feira, 12 de março de 2010

Forest

Para ler ouvindo a música Forest, do System of a down:




- Corra Athena! Corra!!!
Essa foi a última coisa que Athena conseguiu ouvir. Ela correu mais rápido do que jamais imaginara poder correr. Defendia sua vida naquela corrida. Tinha que correr, tinha que fazer seu corpo resistir ao cansaço que já ameaçava aparecer. Ela forçava os pulmões para respirar, mas o ar já não vinha. Athena correu sem olhar para trás. E, como num filme de terror, quando ela achou que ia conseguir, caiu. Caiu e perdeu alguns segundos preciosos até conseguir se levantar e voltar a correr. As pernas não obedeciam, gritavam por descanso. A cabeça latejava e os olhos estavam turvos. Falta de ar. Dor. Mas ela olhava sempre à frente e repetia mentalmente aquelas palavras: “Corra Athena! Corra!”. Tinha que resistir, se não fosse por si mesma, mas pelas pessoas que a libertaram. Tinha que conseguir chegar o mais longe possível daquele lugar, e deixar lá toda a dor e todo o sofrimento que vivera. Tinha que correr. Já conseguia ver o sol por entre as árvores, devia estar chegando ao final da floresta. Seus cabelos já estavam cheios de folhas. Seu rosto cortado pelos pequenos galhos das árvores que batiam em sua face com força enquanto tentava correr e desviar deles. Por mais de uma vez enfiou os pés em buracos, tropeçou em raízes expostas, caiu. Sentiu um ardor na palma da mão, e percebeu que havia se machucado numa das quedas, estava com mãos e braços sangrando. Já não sabia mais o que faltava acontecer. Como num sonho, imaginou que flutuava para fora da escuridão da floresta, que não precisava mais forçar pernas e pés a se moverem... Como num sonho... Sentiu de repente uma dor lancinante nos pés, e pensou que deveriam ser espinhos cravados na carne desafiando-a a continuar com aquela corrida. Ela não desanimou, seguiu correndo e lançando o corpo à frente o máximo que podia. Seus ouvidos sofriam com o barulho cortante do vento. Seus olhos agora estavam cheios de lágrimas e ela piscava para tentar afastá-las, mas a cada tentativa elas aumentavam mais e tornavam a sua visão ainda mais difícil. Seus lábios e sua boca estavam secos, ela precisava correr ainda mais rápido para alcançar água e saciar sua sede. Athena pensava já ter corrido tanto e estar tão distante, que parecia ouvir o som de tambores sendo tocados em algum lugar à frente. Ecos dos batimentos frenéticos de seu coração. Nunca pensou que chegaria tão longe. Correu e adentrou ainda mais na floresta lúgubre, tentando fugir da escuridão. Deixou os tambores e seus medos para trás, lá onde a floresta ainda não era escura e não assustava. Se ao menos conseguisse atravessar e chegar do outro lado, onde vira aquela luz.... Imprimiu ainda mais força nas coxas para conduzirem a corrida e esqueceu a dor nos pés - cuidaria deles mais tarde. Cuidaria de si mesma como nunca fizera antes. A luz foi ficando maior e mais nítida: cegava. Fazia doer as retinas e queimava a pele tão acostumada à ausência do sol. Athena correu, faltava pouco. Chegou ao fim. E no fim encontrou algo totalmente inesperado. Se assustou com aquilo e não conseguiu refrear a corrida a tempo. Na obsessão de chegar ao outro lado, não pensou no que poderia encontrar lá. Encontrou um penhasco. Ela tentou parar na beira daquele abismo sem fim, mas as pernas na adrenalina de continuar correndo não obedeceram ao seu comando, e Athena caiu. Se jogou num voo leve e se deixou flutuar sem pensar no fim, sem pensar no que faria quando encontrasse o chão. Perdeu todo o medo, perdeu todo aquele peso que vinha carregando. Athena parou de correr e voou. E era apenas uma criança novamente. Aproveitando a queda livre ouviu nitidamente palavras conhecidas ecoarem em sua mente tomada pela liberdade:
- Bata as asas Athena! Voe!!!

Um comentário:

Futebol Fair Play disse...

Ela morreu???

que isso... é tipo aquela piada da bolinha cor de rosa... fiquei empolgadissimo pra saber do que ela estava correndo e onde iria chegar... é ela simplesmente morreu antes de dar qualquer tipo de explicação!!! A indignação está no ar!

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