sexta-feira, 2 de abril de 2010

Brisas

Ando perdida entre tantos trabalhos para a faculdade, estágio, cuidar da casa e da família... e de mim! Também preciso de um tempo para minhas coisas, ou para simplesmente não fazer nada. Livros para ler, poesias para escrever, contos para revisar, enfim, tudo fora de ordem esperando por uma brecha na correria do dia a dia. Mas apesar de tudo isso, a música está sempre presente em minha vida; quando não as ouço, fico com alguma se repetindo constantemente em minha cabeça, como uma brisa amenizando o cansaço do pensamento.
Já que comecei a falar de música, preciso admitir que acabei por gostar (enfim) da Vanessa da Mata. Eu que não gostava dela porque tinha ouvido tanto nas rádios a música "Ai, ai, ai", não conseguia imaginar que um dia iria ouvir com calma seus CDs e acabaria gostando de seu estilo. Uma brisa de benevolência musical que acabou me conferindo mais emoções.
E por falar em emoções, essa semana brinquei com um professor pedindo a ele ao marcar a prova bimestral, que ao invés de nos fazer ler tantos livros e textos, elaborasse uma prova baseada na série "Crepúsculo", já que sobre isso eu tenho muito conhecimento e não precisaria estudar tanto, sobrando tempo para fazer os trabalhos pedidos pelos outros professores. Uma brisa de humor para quebrar aquele clima tenso de pré-prova.
Ainda sobre as provas, ando preocupada, o que é raro, já que eu sempre encaro tudo isso com muita tranquilidade e acabo sempre me saindo bem. Não quero me gabar, mas afinal estou estudando o que gosto, não sofro em nada por causa das provas. Entretanto agora a coisa apertou, tudo se acumulou e eu não estou conseguindo me desligar disso. Uma brisa de seriedade para me deixar mais alerta.
E para tentar me desligar, pensar com mais clareza sobre tudo o que tenho que fazer nesse final de semana, tenho ouvido muito Djavan. Poesia pura em suas músicas. Acalma e faz bem. Como uma brisa.
Enquanto estudava agora à tarde, encontrei um poema de Cecília Meireles que me fez pensar em partidas e chegadas:

"Valsa"
Fez tanto luar que eu pensei nos teus olhos antigos
e nas tuas antigas palavras.
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos,
que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.

Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto
e modelou tua voz entre as algas.
Eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege
e estudo apenas o ar e as águas.

Coitado de quem pôs sua esperança
nas praias fora do mundo...
- Os ares fogem, viran-se as águas,
mesmo as pedras, com o tempo, mudam.

Foi lendo uma antologia de poemas de Cecília Meireles que encontrei sentido para tudo aquilo que eu escrevia pensando ser poesia, quando eu tinha uns 12 ou 13 anos. No começo, tentava imitá-la, seguir seu estilo, e desde então comecei a desenvolver meu próprio estilo de fazer poesia, de pensar, de respirar poesia. E não é que, para encerrar uma semana tão atribulada, esse poema caiu como uma brisa leve numa tarde quente de verão? Ele representa algo que eu senti nesses últimos dias, não sei por que, mas uma sensação de perda de algo importante, de partida de alguém especial. Loucura ou imaginação poética? Não sei dizer, mas Cecília continua como referência pra mim em muitos momentos de minha vida. Ela é meu ídolo (já que "ídola", segundo o dicionário, siginifica mulher amada, idolatrada, e acho que não é bem isso que eu queria dizer...) e a brisa mais importante que vai comigo nos momentos em que preciso de arrimo. 
É aliando Djavan e Cecília Meireles que entro de cabeça num fim de semana que promete ser muito curto para tanto a fazer. Aproveitem vocês também a poesia desses dois artistas ímpares. Tenho certeza que essa brisa poética vai envolvê-los também.


PS1: Sobre a série "Crepúsculo", sei que muita gente não gosta e até torce o nariz para o estilo vampiresco criado por Stephanie Meyer, mas eu fui fisgada pelo enredo da história e pelo calor humando do nem um pouco humano vampiro Edward Cullen.

PS2: Mas também adoro o universo sombrio das histórias de Anne Ricce. Aliás, o vampiro Lestat está ente os meus personagens de histórias de terror preferidos. E Tom Cruise estava simplesmente perfeito na interpretação do personagem no filme "Entrevista com Vampiro" ao lado do nosso querido Brad Pitt, que também não pecou em nada em sua interpretação.

Um comentário:

Cris Linardi disse...

Puxa, Joana, eu postei quase uma carta aqui...e o Google comeu tudo..só que não estou com disposição para escrever tudo de novo!!!!
Outra hora...Beijos!

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