sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Agosto - dele

Será muita pretensão minha achar que todos se lembram que, há duas semanas, publiquei um pequeno conto aqui, chamado "Agosto"? Bem, para quem não leu, ainda há tempo, e para quem leu, deve saber que eu prometi escrever a segunda parte, ou melhor, o outro lado da história. Eis que o conto ficou pronto, e o menino tem a oportunidade de contar a versão dele:

Agosto - dele

Ela sempre dizia que eu era bonzinho demais, que devia relaxar e aproveitar mais a vida, mas nunca me dizia como fazer isso. Também me achava anti-social. Eu ficava nervoso quando ela estava por perto, mas sentia muito a sua falta quando não estava, e por isso me alegrava tanto quando ela me ligava. Eu sempre queria sentar em algum lugar e conversar, e ela sempre topava. Eu sabia que com ela podia falar sobre tudo, até sobre as mulheres bonitas que passavam por nós. Ela fazia uma cara estranha, não sei por que, mas não reclamava de nada. Não sei se eu estava doente, com febre ou alguma coisa assim, mas eu sentia meu rosto queimar mesmo estando numa noite fria e com vento forte. E quando fazia silêncio e eu não sabia o que ela estava pensando, ela me olhava, abria a boca, parecia que ia falar alguma coisa, mas não falava nada. E eu perguntava o que era e ela sempre dizia que não era importante, que era melhor eu não saber, e que ela estava ficando louca. Eu sempre soube o que ela queria, mas não aceitava e não sabia como dizer. Eu gostava de olhar em seus olhos coloridos e imaginar as coisas que eu poderia viver com ela... parecia que ela podia enxergar minha alma quando me olhava daquele jeito. Gostava de suas músicas, mas reclamava, gostava de seu cheiro de pecado, de como sua língua tocava os dentes quando ela sorria, e seu sorriso era tão fácil, tão radiante! (e eu me lembrava disso o tempo todo!) Eu a considerava uma amiga, ela via em mim esperança... se ao menos eu pudesse dizer... eu deveria ter dito... Sentia sua falta, e ligava. Ela me chamava, eu ia. Deixei que ela pegasse meu braço e foi bom, foi natural. Me lembro de cada pedaço de chocolate e de cada dia chuvoso, mas não tinha certeza se ela também se lembraria. Ela me contava de sonhos, me mandava mensagens, dizia que queria escrever um livro. Eu não podia resistir quando ela despertava o pior em mim, como quando me mandou aquela música da Badu que dizia: "and she says she needs more than a friend, that's all I ever been... well one day you gon' overstand yo... and I remember the first time that we met you, how could I forget...". E eu que nem sabia que podia sentir tantas coisas ao mesmo tempo! Se ela tivesse insistido só um pouco mais... se ela realmente tivesse batido à minha porta... mas eu falei pra ela nunca esperar nada. Acho que ela deve ter desistido de verdade quando eu cantei: "This means nothing to me, cos you are nothing to me...". Nós caminhamos juntos, é verdade, e agora eu passo pelos lugares onde estivemos, e tudo parece sem cor e sem som... os sonso dela. E não consigo parar de ouvir a voz rouca de Axl Rose gritando: "I don't have plans and schemes, and I don't have hopes and dreams... I don't have anything, since I don't have you...".


PS1: no blog Ideias Absurdas estou postando um conto, em capítulos, chamado "Observando Luísa". Para aqueles que ficarem curiosos, passem por lá. E, atendendo à pedidos (da Marina, rsss), a história não vai terminar no capítulo 5, como eu havia planejado.


PS2: sábado, dia 23, vou fazer minha estreia em mais um blog compartilhado: Manufatura . Apareçam! Comentem!



Um comentário:

Cris Linardi disse...

Ahá!!!!!!!!! Essa menina vai longe!!!!!!!!!!!!!! Joana, vc é talentosa demais, meu Deus! Imagina qdo eu estiver com o seu primeiro livro em mãos? Vou poder dizer: eu comentava suas postagens!!!! rsrsrsrs....
Sou sua fãaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!! Amei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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