segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mar de Letras


Olá, queridos e queridas. Segunda-Feira é o dia típico da Preguiça! Imaginem quanto tempo fiquei pensando no que postar... ... ...! Enfim, depois de tanto pensar, recorri ao meu "Baú de Ideias" e encontrei um pequeno texto que escrevi há quase 1 ano. Ele representa, creio, as primeiras sensações de uma doida que escolheu cursar Letras porque gosta de escrever poemas e contos! Rs Bobinha...! Sequer imaginava que vai muito, muito, muito mesmo além disso! Bem, sem mais delongas deixo essa mensagem e meu abraço a todos.






"Mar de Letras



Começando a escrever me perco num mar de letras que só conheço no silêncio da madrugada, na solidão profunda que meu quarto propicia. Com o auxílio da música e a melancolia destilada em cada nota de sua melodia, desfruto destes longos, tranqüilos e tão intensos minutos que impedem meus olhos de fecharem-se mediante a tanta beleza noturna.

Meu barco é forte e segue adiante sem temor porque neste mar... Ah, neste mar flui amor! Puro, sem malícia... Apenas, delícia! Só nele posso mergulhar sem medo e o mais profundo que conseguir; só nele encontro a paz na calmaria das águas que almejo todos os dias. Pois é lá que despejo as mágoas, as dores, as tristezas e as frustrações de uma jornada passada, mas que ainda é viva, nítida em mim.

Possuir a chave – minha caneta – e a fechadura – meu papel – nas mãos é complexo: não se sabe bem o que virá quando tiver que abrir a porta p’ra sair da madrugada! E, talvez, nunca mais queira voltar para o “dia-a-dia sem sol” que é a vida real... Se aquele mar levasse embora as impurezas do meu coração p’ra sempre...! Pena que elas vão... e voltam, como as suas ondas.

E os sonhos?! Estão todos lá: do outro lado da porta esperando ela abrir-se e libertá-los! Estão inquietos, desesperados e aguçados para marcarem a história de uma menina estranha por natureza; menina que, tantas vezes, tentou abrir a porta, no entanto, ora a caneta estava errada, ora o papel era impróprio! Até que ela percebeu quanto tempo havia perdido com canetas bonitas e sem valor, com papéis sofisticados e nada resistentes a uma dura história de vida.

E se, um dia, ela descobrisse que todos aqueles princípios impostos na infância fossem apenas paradigmas sórdidos? Causando, no decorrer de sua vida, o abandono dos primeiros sonhos e as escolhas feitas não por querer, mas por acreditar naqueles tabus? Seria um impacto e tanto! Caminhar sobre as linhas do Livro da Vida, à procura da Sabedoria divina decorando cada letra das estrofes proferidas pelo maior Sábio de todos os tempos: Jesus, é superior a todos os demais objetivos que ela poderia ter. Beber do cálice da alegria do saber torna-la-ia completa e satisfeita, verdadeiramente.

Talvez seus sonhos estejam aprisionados porque o coração dela chora por medo de ferir-se, novamente; talvez o mar não leve suas mágoas embora porque ela as chama de volta, sempre; talvez esse mundo que ela usa para afastar-se dos problemas tenha sido criado por suas mãos, e esse mar seja constituído de lágrimas, as quais nunca secarão e nem permitirão que a porta se abra para tirar seus sonhos do cativeiro da ilusão.



M. F. Gomes

3 comentários:

Vinicius Fuscaldy disse...

Orra Mayra! Escondeu isso um ano?! Pra quê? Gente, cada dia que passa ficou mais estupefato pelo nível dos posts desse blog, mais uma vez parabéns meninas!

Ass; Bendito fruto entre as mulheres (rsrsrs)

Joana Masen disse...

Nossa Mayra, que lindo! Esperei o dia todo para ler seu texto, mas valeu a pena.

"Possuir a chave – minha caneta – e a fechadura – meu papel – nas mãos é complexo".

Ainda bem que existe esse complexidade, para que você possa escrever textos tão bonitos e tão sinceros assim.

Parabéns.

PS: A faculdade faz isso com a gente né.

Cris Linardi disse...

Mayra,querida. Eu li teu post duas vezes, por causa da correria, hoje que consegui lê-lo com calma pra poder comentar.
Lindas palavras, lindo texto. Acho que estamos entendendo que tudo o que sai da alma e escorre pra ponta dos dedos é belo. Descobrir isso me fez perder o medo de me expor. Se tudo o que fizermos, fizermos com alma, com coração, não há como não ser belo, profundo.
Seu texto é maravilhoso, parabéns! Faço das palavras do Vinnie as minhas: demorou um ano pra publicar? Pois é, levei 17 anos...essas coisas acontecem...
Faço das palavras da Joana as minhas também: esse trecho ficou perfeito!
Grande beijo e esperemos pela nossa roqueirinha, daqui a pouco ela posta!
Grande beijo, galera!!!

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