sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Qualquer coisa sobre alguma coisa



Ufa! Hoje é meu dia, enfim. Estava ansiosa por começar e em dúvida sobre o que escrever. Acabei misturando dois temas de que gosto muito: Língua Portuguesa e Música Brasileira. Nas minhas andanças pela internet descobri uma figura de linguagem que eu ainda não conhecia: Paranomásia. O nome é complicado, e foi exatamente isso que me deixou curiosa: para que, afinal de contas, serve essa tal de paranomásia? O nome é complicado mas a explicação é simples. Segundo o Wikipédia: “Paranomásia consiste no emprego de palavras parônimas (com sonoridade semelhante) numa mesma frase, fenômeno que é conhecido popularmente como trocadilho.” Ta, isso é tudo muito bonito de se ler, mas eu queria mesmo era um exemplo prático, e quando digo exemplo prático, quero dizer algo concreto, conhecido, realmente utilizado por alguém, e não esses exemplos toscos de frases de pré-escola. E no próprio Wikipédia tinha uma explicação totalmente aceitável: não é que uma das minhas músicas preferidas do Caetano Veloso possui essa figura de linguagem? O nome da música é “Qualquer coisa” e a parte a que eu me refiro é esta:

“berro pelo aterro pelo desterro
berro por seu berro pelo seu erro
quero que você ganhe que você me apanhe
sou o seu bezerro gritando mamãe.”



Eu sempre gostei de música, e acho que todos os professores deveriam utilizar música em sala de aula como uma ferramenta estimulante e enriquecedora, e agora com a faculdade, tenho me sentido mais à vontade para analisar as letras das músicas que eu gosto, coisa que eu já fazia desde pequena, mesmo sem saber muito bem o que estava fazendo. E essa música do Caetano é um exemplo disso, ela faz exatamente o estilo de música que eu gosto de analisar, não a melodia em si, por que disso eu entendo muito pouco ou quase nada, e deixo as análises para o Vini, que tem o dom para a música. Eu gosto mesmo é das letras, das rimas, do jogo de palavras que ele faz. Isso só para falar de Caetano, por que eu poderia começar a falar do Arnaldo Antunes e este post não terminaria nunca. Mas vou deixar o Arnaldo para uma próxima oportunidade. O que eu realmente queria comentar é como a nossa língua é rica, e como podemos ela pode ser utilizada de forma infinita. Para mim que gosto de brincar com as palavras essa figura de linguagem caiu como uma luva. Vou estudar mais sobre ela e descobrir mais exemplos musicais interessantes, talvez um dia eu volte a comentar sobre o assunto.

PS1: tem coisa nova no meu blog: Milonga , com um pequeno toque do nosso mestre Prof. Dr. Pedro Marques, sabiamente citado no post da Cris.

PS2: Aguardemos para a próxima segunda-feira a estréia da nossa amiga Mayra.

PS3: O álbum “Qualquer Coisa” de Caetano Veloso foi lançado em 1975. E para mais informações sobre figuras de linguagem acesse Wikipedia aqui


Joana Masen

2 comentários:

Cris Linardi disse...

Nossa, que demais! Sua postagem ficou excelente, achei show de bola! Amo essa música também, adorei saber mais sobre a língua portuguesa e estou adorando perceber como nos mantemos nos focos de nosso curso de Letras: a língua portuguesa, literatura, música, artes, educação e um universo amplo de possibilidades.
Estou muito feliz que este espaço está ganhando força, e vc, Joana, vai notar como nós melhoramos nossa escrita simplesmente lendo e escrevendo mais. É um exercício estimulante e surpreendente. Eu que não queria ser professora quando ingressei no curso e mudei de ideia, estou encantada com tudo o que podemos desenvolver nessa area. As dificuldades tem aos montes, mas superá-las e ter sucesso é o grande desafio.
Estou feliz pq nosso blog está sendo lido por minhas amigas professoras de português, só gostaria que elas deixassem recados, viram???
Grande abraço e convido todos a se manifestar, este é um espaço interativo!

Vinicius Fuscaldy disse...

Parabéns Joana, excelente ideia a sua de fazer essa analogia entre música e gramática! Estou orgulhoso pela qualidade de nossos posts, vocês estão simplesmente arrebentando meninas.

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